O Ponto dos Noivos entrevistou um casal que inspira qualquer relacionamento e é um exemplo de que o casamento pode dar certo e durar a vida inteira
“Ficava observando ele de longe, quando passava de bicicleta em frente à minha casa”. É dessa forma que a dona-de-casa Natália Correa, de 70 anos, descreve a primeira vez que viu seu marido, José Correa, segundo tenente aposentado, de 85 anos. Uma história para quem ainda hesita em acreditar no amor.
Após dois anos e meio de namoro e um ano de noivado, o casal de Guaçuí, ES - que se conheceu quando Correa voltou da Segunda Guerra Mundial e foi morar em frente à lanchonete em que trabalhava Natália -, resolveu oficializar a união.
“Comentei com um colega meu, que morava próximo, que achei o rapaz bonito, mas não imaginei que ele contaria. Alguns dias depois, José foi até minha casa conversar e emprestou a bicicleta para minha irmã brincar, enquanto saía de férias”, contou Natália.
Ilustração: Arquivo Pessoal
Como conta o casal, o namoro da época era muito diferente de atualmente, pois os namorados só tinham permissão para conversar e passear com a presença de algum integrante da família.
Quando Correa comprou as alianças, foi até a lanchonete onde a mãe de Natália trabalhava para pedir a mão dela em casamento. Somente após a permissão, o casal contou sobre o compromisso aos amigos e familiares.
Durante o período dos preparativos para o casamento, Natália encontrou um ex-namorado que insistiu em ser convidado para a cerimônia. A família da moça começou a acreditar que o ex seria capaz de fazer alguma coisa contra os noivos. Devido a isso, o casal resolveu não distribuir convites e realizar a cerimônia civil e religiosa na cidade de Aparecida do Norte, SP, com um almoço para os amigos e familiares.
“O casamento foi na Igreja Nossa Senhora Aparecida e a lua-de-mel foi em São Paulo. O que não esqueço é que paguei todas as despesas para o meu padrinho, como hospedagem e alimentação, e nem sequer recebi um presente de casamento”, lembrou Correa.
O vestido da noiva foi de cetim branco e o buquê de flores naturais em formato de cascata. A tiara de flores de laranjeiras prendia um véu curto com três camadas. O traje tradicional combinava com a igreja, decorada com rosas brancas.
Passados 54 anos do enlace, o casal relembra a festa de Bodas de Ouro, realizada pela família e o sucesso da relação, que gerou três filhos e seis netos.
Indagados sobre o segredo de manter um casamento por tanto tempo, Natália enfocou a importância de ter paciência para superar as dificuldades e aconselhou os casais a se respeitarem.
– Para se casar é preciso amar. Para ser feliz, não se pode deixar a rotina acabar com o relacionamento. É necessário paciência para tolerar o outro. Se o José não gostasse de rotina, ele não agüentaria, pois eu cuido da casa e cozinho todos os dias. Mas faço isso porque eu gosto, eu adoro cozinhar – concluiu Natália.
O casal mostra que os relacionamentos podem ser duradouros, desde que exista amor e respeito. Um exemplo para os noivos e recém-casados, que estão iniciando uma nova fase no relacionamento. Como nos contos de fadas, não há dúvidas de que é possível ser feliz para sempre.


