“Olá, tudo bem?
Quero pedir a sua opinião em uma situação que estou vivendo, será que pode me ajudar? Então, namoro há três meses, pretendo noivar em dezembro e casar em maio...
Meu namorado tem um filho de quase dois aninhos, mas não temos muito contato com a criança por questão de tempo e pelo fato da mãe do filho dele, ser uma pessoa difícil. Ela acha que eu fui o motivo da separação deles, sendo que já não estavam juntos há dois anos e meio. Ela me odeia de uma forma esquisita.
Por uma parte eu até entendo, mas enquanto ao filho dele, apesar de não ter muito contato, gosto dele. Eu amo meu namorado, por isso, gosto de tudo o que é dele também. Eu sou pedagoga e sei muito bem que infelizmente muitos pais fazem burradas. Os pais são irresponsáveis e infelizmente quem sofre é a criança. Quando a mãe da criança fala com o meu namorado sobre o filho deles, ela cisma em falar de mim. Eu não inocento ninguém nessa história, porque os dois foram irresponsáveis.
Mas eu tenho que confessar que eu tenho medo que ela faça a cabecinha do bebê contra mim. O que eu mais queria é que essa relação fosse amigável, mas ela é super difícil. Sinceramente não sei o que fazer. Será que eu devo falar com ela pessoalmente numa boa ou deixar que somente o tempo responda todas as ofensas que ela me faz?
P.P.”
Querida, seu segundo nome é ansiedade? Parece-me que nesta relação tudo é muito intenso e muito rápido. Com apenas três meses de relacionamento vocês já estão programando casamento e sua preocupação é se uma criança de apenas dois anos terá a cabecinha feita pela mãe contra você? Será que você não está se preocupando demais com o que não deve e de menos com o que deveria?
Fica muito claro que da mesma forma que a ex não aceita a sua atual relação, tampouco você aceita a relação que se passou antes da sua chegada. Quando você os chama de irresponsáveis, é possível perceber um descontentamento enorme na sua colocação, mas quem somos nós para julgarmos os atos dos outros? Muitas pessoas também considerariam irresponsabilidade assumir um compromisso de casamento com apenas três meses de convivência. Eu te pergunto: você concordaria com elas?
Nós não sabemos em que circunstâncias essa criança foi gerada. Será que naquele momento eles também não achavam que a relação seria “para sempre”? Por mais que você queira interferir e descobrir sobre esse passado, ele nunca será revelado a você de forma absolutamente clara, mesmo porque ele não importa mais.
Reflita melhor sobre os seus comportamentos e esqueça um pouco os comportamentos dos outros. Verifique até que ponto você não está perdendo sua identidade nessa relação. Afinal de contas, ninguém gosta de alguma coisa só porque o outro gosta também, conforme você disse na frase “eu amo meu namorado por isso gosto de tudo o que é dele”. Procure ter um pouco mais de calma para pensar bem antes de agir, para conseguir ampliar sua visão e assim considerar mais aspectos do fato antes de tirar conclusões e tomar atitudes.
Boa sorte!
Um grande abraço.
Ariádni Fernandes
Psicóloga e Psicoterapeuta
Cognitivista Comportamental
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